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17 agosto 2016

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Crianças em um mundo de preconceitos

Um tema meio "batido"? Talvez, mas necessário.

Não é nenhuma novidade que vivemos em uma sociedade extremamente preconceituosa, e ninguém escapa, NINGUÉM!

"Tá generalizando, Natália!" É, eu estou!

É branco com preconceito contra negros, negros com índios, índios com albinos, negros com brancos e entre todas as outras raças; Hétero com preconceito com gays, gays com héteros e lésbicas com bissexuais; Cristãos com preconceito com ateus, vegetariano com carnívoros, famílias convencionais com mães solteiras ou pais do mesmo sexo, feministas com machistas, enfim, os conjuntos de preconceitos existentes são infinitos, como os números!


Em meios de frases como "EDUQUE SEU(A) FILHO(A) A... BLÁ BLÁ" me peguei refletindo constantemente sobre a educação do meu filho e demais crianças. Como educar nossos filhos para essa sociedade munida de preconceitos sem fim? Se você espera que eu lhe dê uma resposta, desculpe, infelizmente sou só mais uma mãe que perde o sono pensando no melhor caminho, e acredite, todos eles dão brecha para falhas.

É fácil falar em educação quando não temos a responsabilidade de preparar um ser humano para o mundo, mas a tarefa é BEM complicada. Crianças são curiosas, bem como são expressivas, e em algumas vezes, não sabem lidar com o "novo" ou "diferente" a primeira vista. E essa primeira reação, pode deixar aos pais inseguros e desconfortáveis.

Qual a melhor forma de lidar com essas situações? Não sei, se tiver uma resposta, é a sua chance de compartilhá-la!

Enfim, eu adotei alguns hábitos que têm dado um retorno positivo até então. Aqui em casa as diferenças são sanadas com o convívio, naturalidade, respeito e transparência. 

Sempre fiz questão que o meu filho convivesse com todos os tipos de diferenças, lidamos com tudo e todos a nossa volta, com naturalidade e principalmente, respeito.

A transparência para lidar com as novidades e curiosidades, tem feito grande diferença em nosso dia-a-dia, tentamos da melhor forma possível esclarecer as questões trazidas pelo Gabriel, com uma explicação de acordo com sua compreensão, mas principalmente, uma explicação clara e com exemplos reais. Por mais que naquele exato momento, eu não saiba como explicar, ou não esteja preparada para tal, ele sabe que o "depois a mamãe te explica", vai chegar. E eu, realmente irei explicar, ou tentar. Mas quando tenho aquele sentimento de "ufa, menos uma", lá me vem ele, com mais uma!

E respeito como forma de reconhecer os direitos de todos!

Ao questionar meu filho, ouvi frases que me fizeram ver que estou fazendo um bom trabalho:

N - O que é ser Gay?
G - É quando menina namora menina e menino namora menino.
N - E isso é normal?
G - Sim.
N - Ser gay é um problema?
G - Não.
N - E se você descobrir que um amigo seu é gay?
G - Nada, ter amigos gays não quer dizer que a pessoa também seja.
N - Você continuaria a ser amigo dele?
G - Sim.
N - Ser diferente é feio?
G - Não, todos somos diferentes.

TODOS somos diferentes, se crianças não capazes de compreender e aceitar, você também é!

14 julho 2016

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Para refletir

O PAI PERDOA


Escute, filho: enquanto falo isso, você está deitado, dormindo, uma mãozinha enfiada debaixo do seu rosto, os cachinhos louros molhados de suor grudados na fronte. Entrei sozinho e sorrateiramente no seu quarto. Há poucos minutos atrás, enquanto eu estava sentado lendo meu jornal na biblioteca, fui assaltado por uma onda sufocante de remorso. E, sentindo-me culpado, vim para ficar ao lado de sua cama. 

Andei pensando em algumas coisas, filho: tenho sido intransigente com você. Na hora em que se trocava para ir à escola, ralhei com você por não enxugar direito o rosto com a toalha. Chamei-lhe a atenção por não ter limpado os sapatos. Gritei furioso com você por ter atirado alguns de seus pertences no chão.

Durante o café da manhã, também impliquei com algumas coisas. Você derramou o café fora da xícara. Não mastigou a comida. Pôs o cotovelo sobre a mesa. Passou manteiga demais no pão. E quando começou a brincar e eu estava saindo para pegar o trem, você se virou, abanou a mão e disse: “Chau, papai!” e, franzindo o cenho, em resposta lhe disse: “Endireite esses ombros!” 

De tardezinha, tudo recomeçou. Voltei e quando cheguei perto de casa vi-o ajoelhado, jogando bolinha de gude. Suas meias estavam rasgadas. Humilhei-o diante de seus amiguinhos fazendo-o entrar na minha frente. As meias são caras – Se você as comprasse tomaria mais cuidado com elas! Imagine isso, filho, dito por um pai!
Foto: Acervo Pessoal

Mais tarde, quando eu lia na biblioteca, lembra-se de como me procurou, timidamente, uma espécie de mágoa impressa nos seus olhos? Quando afastei meu olhar do jornal, irritado com a interrupção, você parou à porta: “O que é que você quer?”, perguntei implacável. 

Você não disse nada, mas saiu correndo num ímpeto na minha direção, passou seus braços em torno do meu pescoço e me beijou; seus braços foram se apertando com uma afeição pura que Deus fazia crescer em seu coração e que nenhuma indiferença conseguiria extirpar. A seguir retirou-se, subindo correndo os degraus da escada. 

Bom, meu filho, não passou muito tempo e meus dedos se afrouxaram, o jornal escorregou por entre eles, e um medo terrível e nauseante tomou conta de mim. Que estava o hábito fazendo de mim? O hábito de ficar achando erros, de fazer reprimendas? Era dessa maneira que eu o vinha recompensando por ser uma criança. Não que não o amasse; o fato é que eu esperava demais da juventude. Eu o avaliava pelos padrões da minha própria vida. 

E havia tanto de bom, de belo e de verdadeiro no seu caráter. Seu coraçãozinho era tão grande quanto o sol que subia por detrás das colinas. E isto eu percebi pelo seu gesto espontâneo de correr e de dar-me um beijo de boa noite. Nada mais me importa nesta noite, filho. Entrei na penumbra do seu quarto e ajoelhei-me ao lado de sua cama, envergonhado!

É uma expiação inútil; sei que, se você estivesse acordado, não compreenderia essas coisas. Mas amanhã eu serei um papai de verdade! Serei seu amigo, sofrerei quando você sofrer, rirei quando você rir. Morderei minha língua quando palavras impacientes quiserem sair pela minha boca. Eu irei dizer e repetir, como se fosse um ritual: “Ele é apenas um menino, um menininho!”

Receio que o tenha visto até aqui como um homem feito. Mas, olhando-o agora, filho, encolhido e amedrontado no seu ninho, certifico-me de que é um bebê. Ainda ontem esteve nos braços de sua mãe, a cabeça deitada no ombro dela. Exigi muito de você, exigi muito.


W. Livingston Larned 

Fonte: Livro "Como fazer amigos e influenciar pessoas" do autor Dale Carnegie.



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